Tempo médio de posse de bola por jogador

“It is a capital mistake to theorize before one has data.”
Sir Arthur Conan Doyle

O Pitch Invaders #76 (https://soundcloud.com/footure-fc/76-the-pitch-invaders), do pessoal do Footure, trouxe ao debate o papel da análise de desempenho no futebol, bem como sua influência sobre o modelo de jogo de um clube, métricas de análise e indicadores de desempenho. Um dos convidados pelo programa foi Eduardo Cecconi, que foi analista de desempenho do Grêmio por anos, até o final de 2017. No programa, Cecconi comenta sobre algumas das análises encomendadas pelo clube e particularmente uma nos chamou bastante atenção: o tempo de retenção de bola por jogador (posse de bola); ou seja, o quanto cada jogador fica com a bola no pé, em média. Segundo o analista, em 2015, o Corinthians de Tite tinha o menor tempo, e Roger, então técnico do Grêmio, ficou obcecado em baixar a média do seu time, fazendo com que a circulação de bola da equipe fosse mais rápida, atingindo o posto de número 1 nesse quesito em menos de 1 ano no comando do clube.

Nós fomos atrás desses números. Para filtrar esses dados, foi usado o seguinte critério: o tempo de posse de bola é o tempo entre o momento em que o jogador recebeu um passe e o momento em que efetuou outro passe ou chutou a gol. Dessa maneira, está excluída a posse de um jogador que, por exemplo, rouba a bola e então faz um passe. Perda de posse também está desconsiderada. Iremos analisar apenas as ações voluntárias com sucesso das equipes.

Figura 1 – A posse.

posse

A primeira coisa que vamos examinar é a média da posse por jogador no Campeonato Brasileiro e como ela tem se comportado no tempo. Esses números estão a seguir, de 2013 a 2017.

Figura 2 – Tempo médio de posse por ano.

tempomedioposse

A Figura 2 mostra que o tempo que cada jogador retém a bola tem diminuído a cada ano. Em 2017, cada jogador ficou com a bola, em média, 2,93s por posse. Em 2013, 3,10s. A diferença de 0,17 segundos pode parecer pequena, mas lembre-se que essa é a diferença média. Seis posses de um time de 2017 tem um segundo a menos que seis posses de um time de 2013. Isso apresenta uma tendência muito clara de aceleração do jogo no Campeonato Brasileiro.

Como o tempo médio de cada posse vem diminuindo, por óbvio, mais posses vão acontecendo durante a partida. A Figura 3 mostra essa evolução.

Figura 3 – Média de posses/jogo por ano.

mediapossesjogo

Em 2017, a média de posses por jogo foi de 337 por time (674 por jogo), e em 2013 foi de 292 (586 por jogo). São 88 posses a mais por jogo – ou seja, a cada ano, vemos um jogo cada vez mais fluido e intenso.

Os números nos indicam que ano a ano o futebol no Campeonato Brasileiro vem apresentando uma pequena mudança: os jogadores ficam menos tempo com a bola no pé ocasionando em mais ações durante o jogo. Mas essa análise foi generalista, pois observamos apenas o comportamento médio de todas as equipes dos Brasileiros de cada ano. No próximo post sobre o tema, vamos aprofundar um pouco mais a análise, verificando o comportamento de cada clube no período de 2013 a 2017 e se há grandes diferenças entre eles.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s