O tempo médio de posse de bola das equipes no Campeonato Brasileiro

O jogo está mudando: está ficando mais rápido, com posses mais curtas por jogador, e por consequência mais intenso. Seis posses de um time de 2017 tem um segundo a menos do que seis posses de um time de 2013, na média. O campeonato brasileiro de 2017 apresentou uma média de 337 posses por partida por equipe, contra 292 de 2013. Com isso percebemos do quão mais intenso o jogo está se tornando em terras tupiniquins. Mas isso tudo nós já sabemos, está no nosso último post (https://somazerofc.com/2018/01/03/tempo-medio-de-posse-de-bola-por-jogador/). Vamos explorar agora o comportamento das equipes em relação a essas variáveis.

Os gráficos que seguem vão guiar nossa análise. No eixo y, o tempo médio por posse de bola (em segundos), no eixo x os clubes, e a cor das barras mostra a média de posses por jogo; quanto mais verde, menos posses, quanto mais azul, mais posses.

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Os gráficos mostram que a cada ano que passa, desde 2013, o campeonato brasileiro, em média, tem diminuído o tempo médio por posse de bola, ou seja, o jogo está ficando cada vez mais rápido. Os jogadores estão cada vez levando menos tempo para executar ações quando estão com a bola nos pés.

Maior velocidade no jogo tem ocorrido não só na média, a distribuição inteira se deslocou, isto é, todos os clubes têm diminuído os seus tempos médios de posse. Por exemplo, em 2013, o clube com maior tempo médio de posse foi o Náutico enquanto o clube com menor foi o Corinthians, com 3.25 e 2.98 segundos por posse de bola, respectivamente. Já no ano passado, o clube com maior tempo médio por posse foi São Paulo com 3.05 segundos, enquanto o clube com menor tempo médio foi o Grêmio com 2.8 segundos de média por posse. A distribuição de média de tempo por posse de bola tem se deslocado para à esquerda. Isso fica evidenciado no gráfico abaixo:

densidade

O Campeonato brasileiro tem acompanhado a evolução do ritmo de jogo europeu. Pelo menos no que se refere à velocidade do jogo. É claro que o ritmo de jogo está também associado à proposição tática de cada equipe. De maneira intuitiva, poderíamos pensar que equipes mais ativas, com um jogo mais propositivo, que ficam mais com a posse de bola, podem ter uma média de posse por jogador um pouco mais alta, porém com mais ações durante o jogo, enquanto equipes reativas, por trabalharem mais as transições ofensivas, devam ter ações mais curtas por jogador e com menos ações por jogo. Metade disso se apresenta verdade. As equipes mais ativas têm mais ações que as reativas, porém, também tem ações mais curtas. As equipes notadamente com modelo de jogo mais ativo ficam menos com a bola no pé por jogador, ou seja, ainda que mantenham a posse, o jogo circula mais do que quando a posse está com as equipes reativas.

Os gráficos mostram como foi o comportamento de cada equipe da Série A de 2013 a 2017 em relação às variáveis exploradas. Vimos também que a distribuição to tempo de posse de bola médio foi se deslocando para a esquerda ao longo dos anos, mostrando que todas as equipes estão buscando circular de maneira mais rápida o jogo. Nos próximos posts, exploraremos os jogadores que destacaram nesses quesitos, e então faremos uma comparação com os campeonatos europeus.

 

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